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Blog 30.04.2019

O dia a dia de quem fotografa na rua

No começo era passatempo, agora é profissão e fascínio pela honestidade.

Comecei a me interessar por fotografia durante a adolescência, quando ganhei uma pequena câmera digital. Passei a carregá-la comigo e explorar, como passatempo, o dia a dia dos meus amigos na escola.

Com esse espírito de documentar o agora, naturalmente acabei na faculdade de jornalismo. E ficou mais evidente pra mim que tinha afinidade com a narrativa da história por meio da imagem.

Foi um pulo rápido: logo no primeiro ano de faculdade procurei uma agência de fotojornalismo e comecei a aprender sobre linguagem e posicionamento, além do papel da fotografia. Em menos de um ano, já estava viciada em estar presente nos acontecimentos históricos.


Alexander, que tem microcefalia, toma banho no tanque de sua casa, em Betania, interior de Pernambuco.
Canon EOS 1DX Mark II -  EF 16-35mm f/2.8L III USM - ISO 500  f/2.8 1/1250s

O que me fascina no fotojornalismo e na fotografia de rua é a honestidade, o cru, o real. A possibilidade de capturar a criatividade do mundo – em cenas que nunca se repetem – é quase um fetiche.

Às vezes, a foto simplesmente acontece na sua frente.

Algumas vezes tenho em mente um local que eu sei que daria uma boa foto e volto na "marcação" mental que faço para fotografar quando acho que aquele lugar na minha cabeça pode ser uma boa ilustração de algum assunto. Outras vezes você percebe a movimentação das pessoas e consegue antever a foto, você se posiciona e aguarda,o caso de uma manifestação por exemplo, que você percebe a divisão dos grupos na massa,  mas a maioria das vezes a foto simplesmente acontece na sua frente e você tem que estar preparado.


Ato contra Passe Livre no Terminal Dom Pedro.
Canon EOS 5D Mark III, EF 16-35mm f/2.8L III USM - ISO 12800 f/6.3 1/250s

Como resultado o que eu busco é a fidelidade da fotografia ao meu sentimento presenciando aquela cena, seja um retrato ou algo factual. A verdade às vezes é uma questão de ponto de vista, eu busco transmitir exatamente o que eu senti na presença dos acontecimentos. Encaro como um privilégio poder narrar a história através do meu olhar.

Geralmente gosto de desfoque, de levar a lente ao limite do diafragma. Desfoques no primeiro plano e fotos levemente subexpostas – isso vale para retratos posados e fotos de rua. Nessas, com a lente grande angular, se for dia, trabalho com o diafragma mais fechado para ter mais contexto do cenário, com mais coisas em foco.


Policiais fazem operação na nova Cracolândia, na Praça Princesa Isabel.
Canon EOS 1DX Mark II  - EF 300mm f/2.8L IS II USM - ISO 4000  f/3.2 1/2500s

Tento sempre valorizar a luz natural, só uso flash em retratos e caso seja muito essencial: em casos de presos pela Polícia Federal em vidros fume, ou fotos em baixa velocidade, light painting, etc.

O equipamento.

No meu dia a dia, vou do futebol ao retrato, à manifestação. Tudo tem que ser portátil e fácil de carregar. Uso diariamente um câmera da Canon, uma EOS 1Dx Mark II, cujo ISO chega a 51.200, com grão a partir do ISO 12.800, o que me possibilita fazer fotos noturnas sem flash. Também fotografo com uma uma EOS 5D Mark III como segundo câmera, em pautas como a cobertura de partidas de futebol, em que tudo é muito rápido e não dá tempo de trocar de lente.


Protesto contra o presidente do Brasil, Michel Temer na República, São Paulo. 
Canon EOS 1DX -  EF 16-35mm f/2.8L III USM - ISO 12800 f/2.8 1/ 500s

Normalmente, ando com um kit básico de lentes para fotojornalismo, uma EF 16-35mm f/2.8L III USM, EF 70-200mm f/2.8L IS II USM e EF 50mm f/1.8 STM. O motivo é simples: eu não sei onde vou parar – será um acidente? Um retrato? Uma manifestação? Em um único dia, pode rolar de tudo.


Policiais fazem operação na nova Cracolândia, na Praça Princesa Isabel.
Canon EOS 1DX Mark II, EF 16-35mm f/2.8L III USM - ISO 8000  f/3.5 1/320s

A EOS 1DX Mark II tem um sensor de foco muito rápido, perfeita para esportes e eventos políticos, onde normalmente uso uma tele como a EF 300mm f/2.8L IS II USM ou a EF 400mm f/2.8L IS II USM, quando um milésimo de segundo faz toda a diferença e estou longe do objeto fotografado.

  
Policiais fazem operacao na nova cracolândia, na Praca Princesa Isabel. 
Canon EOS 1DX Mark II - EF 70-200mm f/2.8L IS II USM - ISO 8000 f/2.8 1/400s

Quando uso flash – um Speedlite 580 EXII – é para dar só um toque de luz nos retratos, uma iluminada no rosto. Combino com o transmiter Canon, Speedlite Transmitter ST – E2, que me permite montar um flash remoto em qualquer lugar: o segredo aqui é versatilidade e improviso

Para os meus retratos, uso na maioria das vezes a EF 50mm f/1.8 STM, minha favorita, uma lente bem básica que me dá tudo o que eu preciso.


Marina Silva posa na Faap. 
Canon EOS 1DX Mark II -  EF 50mm f/1.8 STM - ISO 200  f/2.0 1/125s + Flash Canon Speedlite 580 EX II potência 1/128

No fotojornalismo, é muito uma questão de agilidade e portabilidade, sempre ter equipamentos em que você confie e se sinta à vontade trabalhando.

Você não recebe uma segunda chance para fazer a foto.


Chegada dos corpos em Chapecó do acidente aéreo com o time da Chapecoense. 
Canon EOS 1DX Mark II - EF 16-35mm f/2.8L III USM - ISO 2000 f/5 - 1/4000s

Publicado por: Gabriela Biló Categoria: Inspire-se

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