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Dica Nível Básico

Dicas para fotografar comida

A fotógrafa Nani Rodrigues fotografa gastronomia e tem várias dicas e sugestões de técnicas para quem também quer fazer lindas fotos de comida.

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Venho de uma família mineira muito entusiasmada por fotografia e culinária. Minhas avós, cozinheiras de fogão à lenha, apesar de saberem tudo sobre os alimentos e as panelas, conseguiram guardar poucos registros fotográficos de seus filhos.

Com poucas fotos de suas infâncias, meus pais se empenharam em construir para mim o maior acervo fotográfico que uma criança poderia ter. Todo o meu crescimento está registrado em incontáveis álbuns organizados por datas e temas, tudo fotografado ainda em filme com uma Canon T70.

E, já que criança não pode brincar com fogo, meu primeiro interesse foram as imagens.

Mais tarde, na faculdade de design, tive contato com um laboratório de revelação de negativos, no qual fui monitora e pude reviver e fotografar com todas as câmeras analógicas que estavam em casa. Foi minha melhor escola!

O empurrão final foi quando ganhei uma Canon EOS Rebel T1i dos meus pais e comecei a fotografar modelos em Belo Horizonte.

Já a culinária veio só mais tarde, quando morava sozinha em São Paulo. Após um hiato de três anos sem fotografar, trabalhando somente com vídeo, comecei a clicar os pratos que cozinhava para mostrar para a família em Minas. Postava tudo em minha conta no Instagram e, a partir daí, começaram a surgir os convites profissionais. E a união das minhas duas maiores influências estava completa.


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.2L USM – 1/160 – ISO: 160
Foto: Nani Rodrigues

Com isso, minha profissionalização no ramo da fotografia gastronômica aconteceu juntamente com o início do meu trabalho comercial. Como nunca trabalhei como assistente e sou autodidata nas fotos de comida, boas influências e muita experimentação foram fundamentais para meu aprendizado.

Devore referências!

A maior vantagem dessa área é que existem inúmeros bons trabalhos para estudo na internet, pois o universo da comida está cada dia mais em alta, e é possível treinar em casa mesmo, seja com um prato feito por você ou até mesmo com um alimento cru.

Minhas maiores inspirações na época foram o fotógrafo David Loftus e várias fotógrafas precursoras do movimento “Black Food”, que consiste em fotos de fundo escuro, iluminação mais dramática e elementos rústicos. Katie Quinn Davies, Eva Kosmas Flores, Linda Lomelino e Valentina Solfrini são algumas referências nesse estilo.


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.4 USM – 1/60 – ISO: 1250
Foto: Nani Rodrigues

Ver o máximo de programas e revistas sobre culinária também é muito importante para construir na mente um repertório de comidas bonitas e com boas cores.

Fotografando comida: volume, cores e apetite!

A meu ver, existem três fatores a serem considerados ao se fotografar um alimento: o volume, as cores e o quanto aquela imagem faz salivar quem a vê.

A direção da luz é fundamental para conseguir volume no objeto fotografado. Normalmente opto por fontes de luz na lateral ou levemente “de contra”, atrás, a 45º do prato, para conseguir boas áreas de luz e sombra. A luz de frente não é muito indicada, pois deixa o alimento muito uniforme, sem nuances, consequentemente menos interessante.


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.2L USM – 1/80 – ISO: 400
Foto: Nani Rodrigues

As cores do alimento devem ser um ponto de atenção. Por isso, um bom balanço de branco é imprescindível. Tudo bem se a intenção for trabalhar uma foto mais quente ou mais fria de modo geral, porém o ponto principal da foto, a comida da receita ou do anúncio, precisa estar com as cores fiéis à realidade.

Ninguém sente vontade de comer um espaguete à bolonhesa azulado e sem saturação. Por isso, gosto de fotografar com programas de edição de imagem abertos e já aplicar algumas camadas de tratamento de cor ao longo da sessão. Dessa forma, consigo analisar como a cor do alimento se comporta em relação aos outros elementos presentes na foto, como louças, talheres, etc.


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.2L USM – 1/160 – ISO: 160
Foto: Nani Rodrigues

Tendo um bom esquema de luz e boas cores como base, é hora do trabalho mais culinário.

Por mais que existam excelentes culinaristas e food stylists no mercado, é importante que o fotógrafo saiba avaliar se a comida ficou bem na foto, se dá vontade de comer, se abre o apetite. Afinal, a imagem vai ser manipulada e escolhida por ele.

Alimentos secos, murchos, com cara de comida fria, muitas vezes são perceptíveis na foto final, e é muito comum que um prato perca seu esplendor caso a foto leve muito tempo para ser feita. Gosto de estar atenta a isso e, caso o prato precise de uma “reforma”, sempre a peço ao profissional responsável. Esse é um trabalho em conjunto.


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.2L USM – 1/80 – ISO: 1250
Foto: Nani Rodrigues

Após a combinação desses três itens, aliada ao briefing dos meus clientes e ao trabalho do produtor de objetos – que é o profissional que leva ao estúdio toda a louça, fundos de madeira/metal, talheres e afins –, vem a parte da composição.

Para mim, o ideal é que ela já esteja esboçada antes que o prato esteja finalizado para a foto. Então, sempre faço alguns testes, mas é só com ele pronto que é possível compor a cena final. É importante que nada chame mais a atenção que o elemento principal em casos de cenas que levam muitos elementos, como uma mesa de café da manhã, por exemplo. Fazer uma organização cuidadosa dos objetos, pensando nos espaços negativos e preenchidos, é muito importante para guiar o olhar do espectador às partes que mais interessam. Gosto de construir padrões e linhas que guiem o olhar para os pontos principais.


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.4 USM  –1/100 – ISO: 320
Foto: Nani Rodrigues

Os equipamentos

Para isso não abro mão da minha Canon EOS 5D, que é relativamente leve e tem boa empunhadura para aguentar longas horas de trabalho, além de produzir lindas imagens, com boa resolução e nitidez.

Tratando-se das lentes, sempre procuro trabalhar com objetivas claras e fixas para conseguir imagens iluminadas e com bastante desfoque, com um equipamento mais leve, visto que costumam pesar menos que as lentes zoom.

Minha lente favorita é a EF 50mm f/1.2 USM. Com ela, consigo resolver a grande maioria das minhas demandas. Porém, é sempre bom ter também à mão a Canon EF 100mm f/2.8 Macro USM para imagens muito de perto com riqueza de detalhes e desfoques mais dramáticos, além da lente EF 28mm f/2.8 IS USM, que uso pouco, mas é salvadora em casos de pouco espaço, como alguns restaurantes e cenas muito grandes, com muitos elementos.


Canon EOS 5D Mark III – EF 100mm f/1.2L USM – 1/80 – ISO: 2000
Foto: Nani Rodrigues

No caso da luz, prefiro sempre fontes naturais difusas, como uma janela sem sol direto, ou simulo esse tipo de luz com um ou dois flashes Canon Speedlite 600EX-RT, do qual gosto por ser extremamente leve e portátil, economizando espaço na minha mochila e deixando o equipamento mais compacto.

Para disparar os flashes, é necessário um bom transmissor, como o Canon Speedlite Transmitter ST-E2. Além disso, em algumas situações faço uso de difusores para uma luz mais suave, rebatedores e espelhos para iluminar partes específicas da composição e, em alguns poucos momentos, focos de luz contínua.


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.2L USM – 1/160 – ISO: 160
Foto: Nani Rodrigues


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.4 USM – 1/160 – ISO: 160
Foto: Nani Rodrigues


Canon EOS 5D Mark III – EF 50mm f/1.4 USM – 1/160 – ISO: 160
Foto: Nani Rodrigues

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