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Blog 31.07.2017

Os segredos da fotografia de produtos

Não há dica melhor para entrar no mercado fotográfico do que estudar fotografia a sério e praticar muito. Acontece que o tempo para isso é o verdadeiro empecilho para aqueles que veem na fotografia uma maneira de levar uma carreira mais prazerosa e com menos estresse.

A paciência é a virtude de todo fotógrafo, já que é necessário muito tempo de prática para aperfeiçoar a técnica e o olhar até que o iniciante esteja preparado para enfrentar as dificuldades da vida profissional.

E o tempo… o tempo ninguém compra.

Lá no começo...

Eu vim de outra carreira. Fiz faculdade de publicidade e pós-graduação em negócios. Infelizmente, não me encaixei nem em agências nem em empresas. De um jeito ou de outro, a fotografia foi uma válvula de escape.

Quando comecei a vender algumas fotos, já havia estudado o suficiente para saber que não se deve seguir uma paixão sem um bom business plan e uma análise do mercado. A realidade, no entanto, não se importa com o que pensamos e vai seguindo indiferente às nossas inseguranças. Quando percebi, já estava dentro da fotografia, mesmo sem saber para onde ela me levaria.

Assim, tentei diversas coisas. Retratos, shows, esporte, moda, produtos, arquitetura e cheguei até a fotografar uma cirurgia plástica.

Na época, em paralelo com o início da minha carreira de fotógrafo, eu tinha uma empresa de internet com um amigo. A empresa faliu depois de uns anos, mas trabalhar de casa me ofereceu aquilo que citei de mais precioso: tempo para praticar.

Fotografava quase todo dia, sem a menor pretensão. Como precisava ficar em casa, perto da internet, acabava usando objetos comuns. Assim, comecei a inventar ideias para me desafiar. Não tinha ideia do que um pouco de imaginação poderia fazer pelo meu futuro.

Com o tempo, o mercado acabou escolhendo por mim. E hoje, graças a esse período de acúmulo de conhecimento, sou um fotógrafo de estúdio, especialmente de produtos.

As dicas para a fotografia de produtos

A fotografia still não é das mais fáceis. Você precisa criar interesse em objetos que são inanimados e, na maioria das vezes, extremamente desinteressantes.

Ao contrário de um retrato, não há o elemento humano para chamar a atenção e criar interesse. É você, seu equipamento, o objeto e a luz. O silêncio do início de uma foto pode ser aterrorizante.

Para complicar ainda mais, cada objeto possui características próprias, como forma, textura, cor e volume, impossibilitando que a solução de uma foto possa ser utilizada facilmente em outra.

Com o tempo, todos acabam criando o próprio processo. Mas estes são os passos essenciais na criação de uma foto, com algumas considerações que acho pertinentes:

-      Conceito: quando eu penso na ideia da foto. Em uma fotografia comercial, a ideia já chega pronta na maioria dos casos.

-   Referências: geralmente uma busca na internet ou no meu arquivo interno do computador por imagens interessantes que podem ajudar na construção estética da foto. O mais importante aqui é fazer com que referências não tomem conta da sua foto. Inspiração é diferente de cópia.

- Produção: escolher os melhores objetos e fundos que irão acompanhar o objeto principal. Em produções comerciais, é bem melhor contratar um produtor especializado que sabe onde encontrar rapidamente tudo o que você precisa.

- Análise do objeto: tentar ver o objeto de diferentes ângulos a diferentes distâncias. A compreensão do volume não me é instantânea, sendo necessário algum tempo para que a imagem tridimensional se forme satisfatoriamente na minha cabeça. Nunca confie na primeira perspectiva do objeto. Provavelmente há outras mais interessantes.

-   Composição: é a mistura do objeto, produção e lente. Mudando um componente, muda-se tudo. Na composição há dois extremos, o minimalismo e o preenchimento da cena com elementos. O risco do minimalismo é uma composição pobre esteticamente, enquanto no outro oposto o risco é uma composição bagunçada. A escolha varia de acordo com a intenção da foto.

-    Iluminação: é quando a composição se torna tridimensional. Aqui, controle é a chave do sucesso. Basicamente, escolhemos o que mostrar e o que esconder, tendo em vista as características físicas do produto e as sensações que queremos angariar para aquela imagem.

- Registro: é o clique propriamente dito. Inclui a regulagem da câmera e as decisões de salvamento da imagem, como o formato a ser utilizado, por exemplo.

- Edição: é a escolha de uma fotografia em detrimento de outra. A edição da fotografia é tão importante quanto o próprio ato de fotografar.

- Manipulação: é o chamado tratamento de imagem. Por mais que tentemos resolver a fotografia diretamente no clique, toda foto em formato RAW precisa de tratamento, já que ela se apresenta de maneira crua, sem interpretação estética. A quantidade de manipulação depende da necessidade do cliente ou da viabilidade do efeito na hora do clique.

Equipamentos Canon

Em relação ao equipamento a ser utilizado, varia de acordo com a necessidade. O mais importante é que ele seja confiável e que não deixe você na mão.  Há alguns anos venho utilizando o mesmo kit de lentes, cujas distâncias focais variam de 17 mm a 200 mm. Talvez a lente que eu mais use seja a TS-E 90mm f/2.8.

Em relação à câmera, é importante que ela tenha as funcionalidades específicas para a sua demanda. As câmeras que melhor me atenderam foram câmeras da linha 5D, que uso há quase 10 anos. Se eu fosse um fotógrafo de eventos ou fotojornalista, provavelmente eu iria para a 1D-X Mark II, que é mais veloz e possui imagens ainda mais limpas em ISOs altos. Mas para mim a qualidade e o tamanho final da imagem são mais importante, e para isso a linha 5D é imbatível.

Talvez a funcionalidade mais útil para o fotógrafo de estúdio seja a captura vinculada, que permite o controle da câmera através do software EOS Utility. Dessa maneira, não precisamos tocar no equipamento, mantendo-o estável durante todo o shooting, além de permitir a visualização da cena através do monitor do computador.

Em relação ao equipamento de estúdio, o mais importante são os modificadores de luz. Para fotografia de produtos não precisamos de potências muito altas de flash, mas temos que ter o controle sobre o que fazemos. Para isso contamos com diferentes refletores, snoots, difusores, rebatedores, bandeiras, garras, diferentes tipos de superfície, etc. Além dos flashes de estúdio, também possuo flashes dedicados, especialmente o Speedlite 600EX que é um modelo muito completo, que vem com uma usabilidade muito boa.

Gosto de usá-los quando preciso fazer luzes bem especulares em produtos reflexivos, como joias e relógios. Os flashes dedicados são ótimos para desenhar luzes bem localizadas pelo tamanho compacto de sua lâmpada. Eles também são muito estáveis, muito úteis quando preciso do controle absoluto da potência para mesclar diferentes fotos, como quando faço empilhamento de foco. E para competir com a potência dos flashes de estúdio, que são equipamentos muito mais pesados e alimentados diretamente pela rede elétrica, eu preciso do flash dedicado que oferece a maior quantidade de luz possível, que é o caso do Speedlite 600EX.

Mesmo com toda a complexidade, é possível fazer muita coisa com pouco. No começo da carreira, a luz de janela é seu maior aliado. Use e abuse da luz do sol em diferentes horários do dia para conseguir efeitos diferentes. A fotografia da banana mais acima foi feita com luz de janela.

Dá para fotografar produtos em casa

E aproveite que a fotografia de produto é o tema perfeito para estudar a iluminação, já que o seu fotografado tem toda a paciência do mundo, e basta abrir a geladeira de casa para encontrar diversos motivo diferentes para fotografar o ano inteiro.

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Publicado por: Flávio Demarchi Categoria: Aprenda

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