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Blog 12.12.2016

Os desafios e as belezas da fotografia de rua

Desde o começo da minha fotografia, sou apaixonado por assistir às pessoas. Na verdade, bem antes de operar uma câmera pela primeira vez, me interesso por assistir à vida acontecer.

Bem criança ainda, em Florianópolis, onde fui criado, passava a tarde sentado em um banco qualquer, observando atento todo o povo que ia e voltava pelo calçadão da Felipe Schmidt, no centro da cidade. Ali, talvez, foi o início da minha fotografia — principalmente da vertente que costumo chamar de fotografia de cotidiano.

E o que é essa tal fotografia de cotidiano?

Em meu trabalho, é como uma coletânea de observações diárias sobre o ser e as interações humanas. A relação do homem e seu ofício, a conversa entre os que sentam ao meu lado, no ônibus de volta pra casa, a solidão de alguém em meio à multidão de um centro qualquer. Essas pequenas frações do dia a dia compõem esse mosaico, essa coleção de luz congelada.

O que torna uma fotografia interessante pra mim é meu inexplicável apreço pelas pequenas interações, pelos pormenores. A possibilidade de eternizar os segundos de drama, alegria, tristeza, solidão e toda a complexidade humana me move a fotografar todo dia.

Se tivesse de dar um dica valiosa para alguém começar a fotografar na rua é que observe muito e perceba o que há de interessante ao redor. Quando possível for, esteja com a câmera sempre por perto para registrar esses momentos que observa.

Achou algo que interessou? Fotografe.

 CANON  5D MARK  II + 20mm  f/2.8 ISO 640 f/3.5 1/80

OS MAIORES DESAFIOS

A timidez sempre foi e ainda  é o maior  desafio que  encontro em fotografar na rua.

Registrar o ser humano, da maneira que  me encanta, requer contato, conversa, interação entre fotógrafo e fotografado. E aí surge o grande aprendizado que  a fotografia trouxe pra mim: só pude registrar as pessoas de maneira verdadeira quando me tornei parte daquilo, do contexto.

É preciso se envolver com quem e onde você está fotografando.

Foi só quando conversei com os feirantes no Ver-o-Peso, em Belém, ou quando larguei a câmera por  algum  tempo e pude conversar com os outros passageiros num ônibus que consegui deixar a vergonha de lado.  E desde então, a fotografia é consequência e não mais meta.

Por vezes  — muitas  vezes, aliás —, o retorno para  casa  é cheio  de histórias e vazio de fotografias. E não há problema nisso,  porque a meta é viver e assistir  a vida acontecer, sem deixar  a rotina atropelar toda a beleza das miudezas cotidianas.

 CANON 5D MARK II + 20mm f/2.8 ISO 1250 f/2.8 1/320

A ABORDAGEM

Um dos obstáculos em fotografar retratos na rua é que  as pessoas não esperam ser fotografadas em um dia comum.

Em um evento, procissão religiosa ou qualquer situação pontual, fotografar as pessoas se torna um pouco mais fácil pois é comum que  se fotografe nesses tipos de situação. Busco sempre explicar  para  o fotografado minhas  intenções e dizer  de maneira clara, objetiva e muito  honesta o que  é a minha  fotografia. Se possível, também mostro no celular algumas fotos feitas  na rua.

Em certos casos, não faço esse contato mais direto e verbal. Tudo varia com o contexto e tipo de foto  que  busco fazer.  Na foto  abaixo, por  exemplo, vi de longe o senhor em uma pose serena, olhando para  o chão.  Fiz a foto  sem  qualquer apresentação ou troca de palavras.

 CANON 5D MARK II + 85mm f/1.8 ISO 400 f/2.8 1/400

Com o vendedor de camarões, na foto  seguinte, o diálogo aconteceu. “Ei, eu tô fotografando o pessoal que  trabalha aqui no Ver-o-Peso pra uma série  de fotografias sobre Belém… Nasci aqui e…”  Enfim, conversa direta para  explicar  minha  intenção ali.

 CANON 5D MARK II + 20mm f/2.8 ISO 2000 f/2.8 1/80

EQUIPAMENTO

Atualmente, utilizo uma Canon EOS 6D com lente Canon EF 50mm  f/1.4.  Para situações cotidianas gerais, gosto do ângulo de visão proporcionado pela  50mm.  Para os retratos, a lente também satisfaz minhas  expectativas. Escolhi a 6D por  ser uma câmera resistente ao mesmo tempo em que  é compacta se comparada com outras DSLRs profissionais.

Na rua, grandes câmeras e lentes não se adaptam bem  ao meu  estilo  de fotografar — já que  gosto de estar fisicamente bem perto dos  assuntos fotografados.

 CANON 5D MARK II + 50mm f/1.4 ISO 100 f/2.8 1/200

 

 

Publicado por: Melvin Quaresma Categoria: Inspire-se

Comentários

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Adilson Pelegrino

Gostei das dicas, faço algumas fotos na rua, mas preciso aprender a abordar e conversar melhor com o fotografado, pois trará mais segurança na arte da fotografia. Parabéns,

Obrigado, Adilson. Essa é uma das etapas mais importantes na fotografia, boa jornada! :)

Ivny Coura

A última foto está muito, mas MUITO show. Que momento incrível! Até os gatos colaboraram.

Ficamos felizes que tenha gostado!

Talita Suelem Peixoto

Lindo o texto Malvin! Lindas fotos, parabéns!

Que bom que gostou, Talita! :)