teste minha imagem
Google+

Blog 29.08.2016

Criando esculturas com luzes

Desde 2006, ano em que comprei minha primeira DSLR, uma Canon XT, realizo experimentos com fotografia de longa exposição, inaugurando minha paixão pela técnica enquanto estava em Montreal, no Canadá.

De lá pra cá, paralelo à minha profissão de fotógrafo de publicidade e outras áreas comerciais, desenvolvi pesquisas e experimentações autorais com fotografia de longa exposição, light painting e múltiplas exposições.

 (Canon EOS 5D Mark III - EF 24-70mm f/2.8L USM - f/8 - 30" - ISO 200)

Dentre essas pesquisas e experiências, criei a série “Esculturas Impermanentes”, em que utilizo fontes luminosas de pirotecnia – fogos de artifício - e disparos de flash em equilíbrio com a luz natural ambiente para criar diversos efeitos. Às vezes, utilizo até mesmo faróis de carros e luzes urbanas.

Foram muitas tentativas e erros antes que eu encontrasse as configurações ideais para minha câmera. As especificidades técnicas que vou descrever podem não ser as ideais para sua câmera ou para o tipo de luz que pretende utilizar, mas a minha dica é que vá encontrando as configurações ideais para você. Veja as condições de luz ambiente, capacidade de abertura da sua lente, etc.

O que vou passar é apenas um caminho, não uma fórmula pronta. Aliás, minha primeira dica é que você experimente.

 (Canon EOS 5D Mark III - EF 24-70mm f/2.8L USM - f/8 - 30" - ISO 200)

O primeiro passo é encontrar os equipamentos e as configurações ideais

Cada imagem como essa começa com a procura por uma locação que me pareça adequada aos desenhos e ideias que tenho em mente.

Faço um planejamento para saber hora ideal de luz ambiente do local escolhido e por quanto tempo terei aquela luz. Pesquise sobre o nascer ou pôr do sol e veja os horários. Isso vai ser muito importante para sua foto.

Geralmente faço fotos ao entardecer ou à noite, pois assim consigo uma relação de luz mais agradável a este estilo.

Outro passo importante é definir seus equipamentos e as configurações que poderá trabalhar em sua câmera.

Hoje, utilizo uma Canon EOS 5D Mark III, um tripé, um filtro ND (Densidade Neutra) de 6 pontos e uma lente EF 24-70mm f/2.8 ISM II. Esse set me permite com determinadas configurações que fui encontrando ao longo do tempo e que vou explicar logo abaixo.

 (Vitor Schietti com sua Canon EOS 5d Mark III e o Filtro de Densidade Neutra em mãos)

Mas você deve trabalhar com as características do seu equipamento. Por exemplo, digamos que você tenha uma lente com uma abertura menor do que a minha lente, então, pode ser que você tenha que trabalhar com o ISO um pouco maior ou com menores tempos de abertura. Minha dica é que você entenda as características do seu equipamento e defina configurações ideais para ele.

Produzindo as imagens

Quando chego ao local, pego meu equipamento e já busco o melhor enquadramento para as fotos. Quando o acho, posiciono a câmera e começo com a preparação da foto.

 (Canon EOS 6D - EF 24-70mm f/2.8L USM - f/7.1 - 30" - ISO 200)

Na ponta de um bastão de 3 metros anexo uma chuva de prata, um fogo de artifício que pode ser encontrado em qualquer loja especializada nestes itens.

É a chuva de prata que vai gerar esse efeito de fogo contínuo para que você possa ir moldando a escultura, enquanto trabalha com a longa exposição da sua câmera.

Uma vara de pescar ou um galho também podem cumprir a função do bastão.

Uma vez pronto o bastão com a chuva de prata, disparo a câmera e vou passeando com o bastão por onde quero marcar o desenho. É do movimento do bastão e da queda das faíscas que vem esse efeito que se parece com a aura da árvore.

O tempo de exposição da câmera vai depender principalmente da luz ambiente, uma vez que a intensidade da chuva de prata é a mesma em todo o processo.

Configuro a lente para uma abertura entre f/8 a f/11, o que também varia conforme a luz ambiente, mas não abaixo ou acima disso, pois não quero alterar muito o registro da luz da chuva de prata. O ISO segue o mesmo princípio, e fica entre 200 e 400.

Costumo iniciar as fotos ao crepúsculo, depois que o sol se põe, e os primeiros clicks têm de 5 a 10 segundos de velocidade de obturador.

Um pouco mais adiante, quando já está mais escuro, passo a usar exposições de 30 a 60 segundos. Usando a câmera em modo Bulb, o mais recomendado é utilizar um controle remoto que permita realizar múltiplos disparos em tempos determinados. Isso traz muita praticidade ao trabalho. Indico o RC-6 da Canon.

 (Canon EOS 5D Mark III - EF 24-70mm f/2.8L USM - f/13 - 20'' - ISO 200)

Uma vez percorridas as áreas que desejava desenhar com a chuva de prata acesa, finalizo disparando flashes sobre o objeto principal (no meu caso, árvores), mas lembrando de antes remover o filtro ND e diminuindo bem o tempo de exposição, para até 1/200s, removendo ou diminuindo drasticamente a influência da luz ambiente, registrando apenas o que o flash iluminar.

Minha escolha por fazer mais de uma longa exposição, juntando várias exposições mais curtas (como de 5 segundos) ao invés de uma exposição super longa de 2 ou 3 minutos é consequência de dois fatores: primeiro, a chuva de prata que utilizo tem uma duração média de 45 segundos, e esse tempo nem sempre é o suficiente para fazer os desenhos que tenho planejados; em segundo, a luz ambiente provavelmente vai superexpor a imagem se utilizarmos um tempo de exposição muito longo, a não ser que aumentemos o filtro ND (para 9, por exemplo), mas isso influenciará o registro da intensidade de brilho da sua fonte luminosa. Por isso recomendo a experimentação própria de cada um, pois os números que valem para mim dificilmente serão os mesmos para você.

Finalmente ao selecionar minhas imagens e importar para o editor de imagens, começo a clarear as fotos para trazer mais informação e deixá-la  com mais vida.

A edição

A técnica de edição é bastante simples e a mesma para qualquer quantidade: tomando uma imagem como base, de preferência com a exposição do céu que preferir para a composição final, adiciono sobre essa as demais fotos como camadas no modo de mesclagem “Clarear”. Desligo a visualização de todas elas e vou, uma a uma, analisando que partes de cada foto quero que “passe” para a foto de baixo, criando uma máscara sobre tudo que não quiser que seja adicionado à composição. Pronto! Temos então uma imagem fotográfica composta por 2 ou mais fotografias de longa exposição e light painting.

A foto fica linda, mas é preciso ter muito cuidado ao produzí-la

É preciso ter bastante cuidado ao trabalhar com esse tipo de material, uma vez que estamos lidando com fogo e elementos inflamáveis. Carrego sempre comigo um pequeno extintor de incêndio e um assistente que possa me alertar caso algum foco de incêndio inicie no chão.

 (Canon EOS 5D Mark III - EF 24-70mm f/2.8L USM - f/6.3 - 30'' - ISO 200)

Por trabalhar com árvores, minha atenção fica redobrada, mas com cuidado a foto pode ser feita sem maiores problemas. Nunca tive incidente, pois não seguro a chama da chuva de prata por muito tempo no mesmo lugar, nem muito próximo à planta. O que tive foram pequenos focos iniciados na grama seca do chão, tudo foi resolvido tranquilamente com extintor, mas tome sempre bastante cuidado.

Recomendo também cuidado especial sobre si mesmo, utilizando óculos de proteção e roupas de manga comprida, preferencialmente escuras para aparecer menos na imagem registrada.

 (Canon EOS 5D Mark III - EF 24-70mm f/2.8L USM - f/9 - 30'' - ISO 200)

Assim são produzidas as imagens que chamo de “Esculturas Impermanentes”. São formas compostas de luz, que jamais serão encontradas no mundo físico, e que nunca existiram de fato senão através do registro fotográfico de longa exposição.

São não mais que uma ilusão, uma memória imaginada, o resultado de uma ação performática, um pensamento tangibilizado, imaginado por uma mente humana e testemunhado apenas por um olho mecânico, o da câmera fotográfica.

Publicado por: Vitor Schietti Categoria: Inspire-se

Comentários

Deixe seu comentário
Nilo dos Anjos Gomes

Fantástico !! Obrigado por compartilhar!!

Nós é que agradecemos, Nilo. :)

Bernardo M Oliveira

Fotos lindas. Parabens!

Obrigado, Bernardo! Continue ligado no nosso Canon College. :)

Fernando

Vitor, simplesmente fantástico o seu trabalho. Parabéns!

Olá Fernando, tudo bem? Muito obrigado ;)