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Blog 25.09.2017

Crew Life: um projeto que une fotografia e aviação

Como comissária de voo há mais de 16 anos, vivendo uma rotina camuflada em uma vida de muitas viagens, encontrei na fotografia a melhor maneira para sentir tudo o que estava ocorrendo de modo totalmente involuntário, sem muito entendimento, e o resultado foi uma das maiores conscientizações sobre minha vida e o espaço que ocupo. Por isso, minha vida hoje é voar e fotografar.

Como nasceu o projeto

O projeto fotográfico “Crew Life” nasceu há cinco anos, praticamente quando percebi que a intensidade da minha profissão era tão frenética quanto as visões que ela possibilitava diariamente.  


Foto: Dani Petrucci

O objetivo era contar e revelar minhas visões sobre a vida de tripulante, um estilo de vida que sempre causou muita curiosidade em todos que não fazem parte do mundo da aviação. Para captar os mais rápidos flagrantes, a cada voo eu precisava ver, ouvir e sentir intensamente tudo ao meu redor, de uma maneira que nunca havia feito antes. E a fotografia é o que me permite esse olhar mais apurado.

Quando comecei a fotografar, em 2012, minha ideia era levar minha câmera, uma Canon EOS 7D, para dentro do avião, hotéis, aeroportos e destinos, sentir a atmosfera da profissão de aeronauta utilizando da minha sensibilidade de fotógrafa para captar os momentos que mais me despertassem a consciência do que realmente envolvia viver trabalhando por todos esses ambientes impessoais e transitórios.  


Foto: Dani Petrucci

Como na maioria das vezes as imagens eram feitas de madrugada devido a viagens internacionais, e como a maioria das luzes do avião precisam estar apagadas para conforto de todos, a condição de luz se torna ainda mais precária. Por isso, preciso utilizar o máximo de recursos para possibilitar a entrada de luz pela lente, sempre com ISO altíssimo, abertura máxima e velocidade mais baixa possível, sem o uso de tripé.  


Foto: Dani Petrucci

A princípio, a ideia de fotografar ambientes que não eram nada comuns às pessoas alheias à profissão deu origem às minhas primeiras imagens. Eram lugares de acesso restrito aos tripulantes, como cockpits e áreas de descanso de tripulação, praticamente onde os “bastidores” da profissão acontecem.

Contando histórias com pouca luz e muita verdade

As imagens dos tripulantes dentro das aeronaves, envoltos por muita escuridão e silêncio, me traziam uma atmosfera misteriosa, além de interessantes tons e cores — momentos que se repetem a cada voo e que revelam imagens frequentes e escondidas nesse estilo de vida que não parece ter rotina.


Foto: Dani Petrucci

Meu objetivo era não dirigir nenhum colega durante as fotos e até mesmo aproveitar o ambiente pouco iluminado para me fazer invisível nas capturas das imagens, conquistando o máximo de espontaneidade possível da cena.

Com o passar dos anos, fui ampliando as perspectivas para o projeto e senti a necessidade de obter uma câmera mais discreta e ágil, mas sem perder a qualidade das fotos. Por isso, acresci ao meu kit a câmera EOS M3, da Canon, pois era ideal para guardar na bolsa do uniforme e sacar a qualquer momento para registrar os verdadeiros flagrantes da profissão, como o desembarque e a chegada da tripulação aos aeroportos.

Viajando e fotografando. Fotografando e viajando.

Em cada país que desembarco, percebo um tom fotográfico diferente. No caso da foto seguinte, a ideia foi ajustar o White Balance para chegar a este tom mais azulado, passando a sensação de estar em pleno inverno chileno, com as Cordilheiras compondo o cenário de um dos aeroportos mais interessantes que já frequentei, devido a sua geografia. A figura do tripulante na contraluz se encaixava pela silhueta do emblemático quepe de comandante.

O tema de hotéis na profissão também sempre foi frequente. Tenho imagens de dezenas de hotéis de diversos países em que as empresas aéreas nos hospedam. Nos hotéis as cenas parecem se repetir, pois, apesar de nossa estadia ser impressionantemente rápida na maioria das vezes, estamos sempre retornando aos mesmos lugares em que já estivemos. Nesse caso, inevitavelmente, capto flagrantes e estou sempre tentando enxergar luzes, pessoas e coisas e como elas interagem. Foi o caso desta imagem num hotel da cidade de Santiago.


Foto: Dani Petrucci

Outro aspecto que eu também quis explorar foram as sensações de estar constantemente em hotéis e minha relação com esses ambientes/quartos de estadia. Nesses momentos de captura, sempre uso um tripé para longa exposição, definindo como gosto de controlar a luz da janela, e sempre opto por criar uma imagem subexposta para tentar construir uma narrativa mais investigativa.


Foto: Dani Petrucci

Nesses ambientes, geralmente procuro fazer imagens que possam traduzir meus sentimentos que variam desde sensação de paz e repouso até confinamento e solidão.


Foto: Dani Petrucci

Versatilidade no equipamento

Um detalhe importante durante minhas viagens é o tipo de lente que levo. Optei por carregar quase sempre uma EF 24-70mm f/2.8L II USM, da Canon, pelo simples fato de nunca saber exatamente o que chamará a atenção em cada viagem. Essa lente me possibilita uma enorme versatilidade para os momentos que eu possa vir a explorar em hotéis, aviões ou aeroportos.

Através de luzes, principalmente naturais, fui criando composições e histórias, como neste exemplo da imagem com a cortina, uma de minhas fotos preferidas. Esta imagem, fotografada com minha Canon EOS 7D num quarto de hotel em Paris, na minha opinião capta um dos momentos mais sacrificantes da minha profissão: o conhecido jet lag — uma desregulação da sua rotina biológica devido à mudança de fuso horário.


Foto: Dani Petrucci

Ao acordar e me deparar com esta cena, ignorei todo o meu cansaço e precisei eternizar esta visão.

Em contraponto ao caso anterior, a característica da minha profissão que eu mais aprecio como fotógrafa sempre foram as idas e vindas, jamais pelo fato de acordar cedo ou me privar de sono, mas porque sempre me preparo para fotografar os mais diferentes e belos momentos do nascer e do pôr do sol. Isso ocorre principalmente a caminho de aeroportos e hotéis ou na maioria das vezes dentro dos aviões, quando os primeiros raios de sol invadem a cabine através de uma persiana descuidadamente aberta.


Foto: Dani Petrucci

E este é um pouco do meu projeto sobre essa profissão tão rica e frenética que há cinco anos vivencio paralelamente à profissão de fotógrafa. Na fotografia, encontro tempo para cuidar de meus projetos autorais, como “Crew Life”, e também construí um estilo de fazer diversos ensaios fotográficos e retratos em estúdio ou externa nos quais meus próprios colegas de trabalho são meu principal público.

Essa foi a melhor maneira que encontrei para ter dois importantes trabalhos paralelos, fazendo com que um tenha ligação intensa com o outro.  


Foto: Dani Petrucci


Foto: Dani Petrucci


Foto: Dani Petrucci


Foto: Dani Petrucci

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Quer conhecer mais sobre o trabalho da Dani? Acesse o Instagram dela:

instagram.com/dpetrucci.photo/

Publicado por: Dani Petrucci Categoria: Inspire-se

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