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Blog 14.05.2018

Como fazer retratos com naturalidade

Penso que um bom retrato é composto de três partes bem realizadas, Técnica, identidade visual e Direção.

A técnica engloba o conhecimento da arte da fotografia, do uso da câmera, da lente e das características da luz.  Já a identidade visual nasce de muita pesquisa, bagagem de referências e afinidades imagéticas. E por último, direção da personagem, algo extremamente pessoal do fotógrafo e muito importante durante um shooting. Sem uma boa direção, os personagens tendem a ficar retraídos e até repetir atitudes viciadas deles, que nem sempre é o que o fotógrafo deseja imprimir no retrato.

Acredito que o retrato não seja somente um registro de outra pessoa, mas também um dispositivo que manifesta o nosso "pensar em imagem", utilizando o corpo do outro para apresentar uma percepção particular do fotógrafo sobre o mundo. Dito isso, a conclusão é que não existe uma fórmula absoluta para a criação de um bom retrato. Tudo varia entre a sensibilidade e os interesses de cada fotógrafo. Porém, há algo que considero significativo no ato de retratar alguém: a espontaneidade. É ela que traz a ideia de naturalidade para a imagem.

A naturalidade no retrato pode parecer um conceito engraçado, afinal, o que há de natural em uma pessoa sozinha, sendo observada por outras pessoas, com uma câmera e várias luzes apontadas para si, maquiagem e produção de moda que não usa normalmente? Nada, né? Pois então, a naturalidade do retrato é construída só para aquele momento, é um olhar que a personagem aponta para a câmera que você não esperava, talvez um movimento, um gesto. Acredito que a naturalidade pode estar em um detalhe mínimo, como uma levantadinha no canto da boca que só aquela pessoa poderia fazer.


Canon EOS 5D Mark III – EF 85mm f/1.2L USM – f/6.3 – 1/160 – ISO 100

No momento em que estou fotografando alguém, procuro algo em comum com essa pessoa para criar um elo real. Acho maravilhoso quando tenho a oportunidade de ouvir a entrevista da personagem antes da foto ou, no mínimo, tento arrumar um tempo para um cafezinho com a pessoa para sacar como é seu humor e como ela reage ao meu humor. Quando falta tempo, às vezes bater um papo com a pessoa durante a maquiagem já ajuda. Nesse momento, é importante baixar a guarda, receber a pessoa como ela é e com carinho.

Para mim, a personagem tem de estar à vontade e confiar no fotógrafo. A partir desse elo, cria-se espaço para o espontâneo. Normalmente, começo todos os shootings de maneira parecida. Monto a luz, testo antes, mas também começo a clicar a pessoa, alegando que ainda estou no teste, assim o retratado se sente mais à vontade com o ambiente, sem a pressão de já estar valendo. Depois, tenho uma sequência de poses que sempre peço e, ao observar a reação do retratado ao fazê-las, a direção vai acontecendo. Gosto muito de entender os hábitos que cada um tem ao se movimentar e de usar gestos particulares da personagem misturados com as minhas direções para criar as imagens. Às vezes, ponho música, conto piada, e eu mesma gosto de ajeitar os detalhes como cabelo e roupa dentro do set. Se percebo que a pessoa está solta, peço até para dançar, girar o corpo de um lado para o outro, se alongar… E, às vezes, até faço junto!

Outro artifício para buscar a naturalidade é clicar a personagem no set entre um movimento e outro. Às vezes, pergunto algo e já clico enquanto a pessoa está me ouvindo ou pensando na resposta. Assim, conseguimos desmontar a tensão nas suas expressões e extrair momentos espontâneos.

Minha intenção ao fotografar é buscar a imagem que mostre o que eu quero dizer pelas posições e expressões do retratado. Acredito que a beleza está no que a personagem me oferece e no que eu consigo trazer dela para o mundo bidimensional da fotografia. E, para isso, não precisamos de muita coisa. Gosto de criar com pouco, sem muitos elementos em cenário – geralmente um banco, uma parede colorida ou branca e uma boa luz já me satisfazem.  

Uma dica boa para composições simples e eficazes é usar cadeiras com braço lateral para apoio. Assim, é possível explorar as infinitas possibilidades de posições de braço, mão, pescoço e expressões.

 

Já sobre equipamentos, minha câmera de coração é a EOS 5D. Comecei usando a Mark II, pulei para a III e agora estou num relacionamento estável com a Mark IV. O que mais gosto nela é que, acompanhada das lentes fixas super claras, posso fotografar com um ISO alto em uma situação de pouca luz e a foto fica suave, sem ruído.

O Wi-Fi também é ótimo para fotografar remotamente. É muito útil em fotos mais aéreas com ângulos vistos de cima.

Sobre as lentes, sou fã das fixas da Canon. Gosto de pensar a foto começando pela escolha da objetiva, assim reduzo o universo de possibilidades que cada elemento da fotografia me traz e também me força a pensar mais na composição considerando a capacidade de enquadramento da lente.

Meus xodós são a EF 50mm f/1.2L USM, por conta da sua nitidez, das diversas possibilidades de enquadramento com relação ao espaço disponível para a foto e também por poder usar sua super abertura de diafragma para atingir desfoques de fundo que dão uma sensação onírica nas imagens, e a EF 85mm f/1.2L USM, pelos mesmos motivos da 50mm. Com ela, posso fazer um retrato mais aproximado do rosto da pessoa sem ter de invadir muito seu espaço. Por ter uma distância focal grande, essa lente deixa os traços do retratado mais harmoniosos.

Gosto muito do efeito dessas duas lentes por uma questão de estilo próprio, não sou fã de linhas distorcidas. Gosto de tudo retinho e harmonioso, mas quando preciso englobar mais elementos na cena, não hesito em usar minha pequenininha EF 28mm f/1.8 USM. Ela é rápida, clara, tem uma nitidez boa e me faz pensar fora da caixa das imagens com compressão de planos da tele e da fixa. E, às vezes, para sair da minha zona de conforto, fotografo com a EF 17-40mm f/4L USM do meu sócio e brinco com as distorções.  

      

Usar equipamentos com os quais não estamos acostumados é um ótimo exercício para ativar a criatividade.
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Para fazer retratos com naturalidade, é preciso explorar o universo da pessoa fotografada e até o do fotógrafo. Nada gera mais naturalidade do que a espontaneidade. E a espontaneidade vem junto com a abertura para interagir de forma verdadeira com a personagem.

Essas são algumas dicas que você pode seguir para construir retratos interessantes, mas a mais importante é essa: Comece!

Teste direção com seus amigos, familiares e até estranhos na rua, crie um projeto próprio de retratos. Como dizem por aí, a prática leva a perfeição.

Publicado por: Julia Rodrigues Categoria: Aprenda

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