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Blog 11.06.2018

“Circo” – Conheça o trabalho de Melvin Quaresma

Desde a infância, carrego imensa admiração pelo mundo circense. Meu interesse pelos circos jamais dispersou, e, ao começar a fotografar, a união entre as duas paixões
naturalmente aconteceu.

Em 2012, iniciei a jornada para conhecer os circos mais profundamente, visitando as trupes não apenas durante as apresentações, mas também em períodos alternativos, quando a vida acontece aos arredores da lona. E dessa maneira meu encantamento de criança transportou-se a uma nova dimensão: descobri que o espetáculo do lado externo da lona é tão encantado quanto o que se vê no picadeiro; que a vida ali fora é estrelada por famílias que carregam o brilho do circo na alma e fazem de cada apresentação um espetáculo único de amor pela arte.


Canon EOS 5D Mark II – EF 20mm f/2.8 USM – f/2.8 – 1/800 – ISO 250

Penso que parte da minha fotografia vem do interesse em transformar memórias ou imaginações em imagem. O circo sempre foi memória e imaginação para mim. As memórias vêm das idas no circo durante a infância, eventos sempre mágicos e aguardados; a imaginação, da curiosidade sobre como são os bastidores de um espetáculo e a vida itinerante de uma trupe.

Logo que comecei a fotografar os espetáculos, percebi que minha fotografia acontecia sempre por trás das cortinas do palco, onde os artistas se preparavam para entrar em cena. O espetáculo é um encantamento, mas os bastidores sempre foram algo além disso para mim. Era como se eu pudesse ver o show de dentro para fora, algo muito mais intenso do que podia sentir enquanto espectador na plateia.



Canon EOS 5D Mark II – EF 85mm f/1.8 STM – f/1.8 – 1/1000 – ISO 2000


Canon EOS 5D Mark II – EF 85mm f/1.8 STM – f/1.8 – 1/400 – ISO 640


Canon EOS 5D Mark II – EF 85mm f/1.8 STM – f/1.8 – 1/250 – ISO 1600

No primeiro circo que fotografei foram cerca de cinco meses de convivência, com visitas semanais. Para a realização de um trabalho documental, o contato prolongado é muito importante, pois com o passar do tempo a barreira do desconhecido é quebrada e você se torna parte daquilo ali. Sou muito tímido e sempre sinto essa necessidade de me sentir conectado às pessoas para, então, começar a fotografar à vontade, da maneira que de fato me satisfaz.

TÉCNICA

Quando comecei a fotografar a série, em 2012, utilizava uma câmera 5D Mark II,vcom as lentes 20mm f/2.8, 50mm f/1.4 e 85mm f/1.8. Atualmente utilizo uma Canon 6D com lente 50mm f/1.4, minha lente preferida para uso geral. O ângulo de visão é ótimo tanto para retratos quanto para fotos de situação.

 Canon EOS 5D Mark II – EF 85mm f/1.8 STM – f/1.8 – 1/20 – ISO 100

Uma das imagens que mais gosto da série é esta. O garoto corre ao redor da lona e a utilização da velocidade do obturador reduzida nos faz também percorrer o seu trajeto. Com a velocidade de 1/20s, foi possível movimentar a câmera quase que em sincronia com o movimento da criança, criando esse efeito conhecido como panning — em que o assunto fotografado nos parece estático, enquanto o entorno é borrado pelo movimento da câmera. O movimento da criança somado ao colorido da imagem me remete diretamente à infância itinerante, sempre em constante mudança percorrendo os espaços pelo mundo em companhia da lona.


Canon EOS 5D Mark II – EF 50mm f/1.4 STM – f/1.8 – 1/3200 – ISO 400

Nessa fotografia, feita com a 50mm f/1.4, utilizei a maior abertura da lente possível para transformar o chão de pedras em um fundo neutro, bastante indefinido pelo desfoque. O foco no rosto da menina, de olhos fechados, e na corda rente à face, toma a direção do olhar quase que completamente. Sinto como se ela sonhasse com o futuro, agarrada à uma das cordas de sustentação da lona.


Canon EOS 6D – EF 50mm f/1.4 STM – f/2 – 1/10 – ISO 5000

Uma outra imagem que gosto bastante é esta, do Palhaço Bolachinha — Jorge Miguel, por baixo das tintas na pele — pela janela do carro. As condições de luz eram bastante complicadas e precisei utilizar uma sensibilidade alta (ISO 5000) para alcançar, pelo menos, a velocidade de 1/10s em abertura f/2. Uma grande vantagem da 6D é a possibilidade em utilizar sensibilidade elevada em situação de baixa luz: o grão adicionado é bonito e não deteriora o resultado final. a série atualmente

Há 9 meses tenho fotografado o Circo Zanchettini. Essa tem sido a convivência mais longa e profunda até o momento nessa série. Tenho fotografado ainda mais dentro dos trailers e me dedicado à retratos posados também, com utilização do flash Canon Speedlight EX II.


Canon EOS 6D – EF 50mm f/1.4 STM – f/1.4 STM – f/5 – 1/125 – ISO 100 – Flash Canon Speedlite 430EX II


Canon EOS 6D – EF 50mm f/1.4 STM – f/1.4 STM – f/3.2 – 1/8 – ISO 1600 – Flash Canon Speedlite 430EX II


Canon EOS 6D – EF 50mm f/1.4 STM – f/1.4 STM – f/5 – 1/125 – ISO 100 – Flash Canon Speedlite 430EX II


Canon EOS 6D – EF 50mm f/1.4 STM – f/1.4 STM – f/3.2 – 1/8 – ISO 1600 – Flash Canon Speedlite 430EX II

Fotografar circos tem sido uma experiência incrível nesses últimos 6 anos e não prevejo um final para a série. O circo se tornou parte da minha vida e isso extrapola o trabalho documental. Acredito que a fotografia se tornou uma bela desculpa para simplesmente conhecer o outro e viver em outros mundos.

Publicado por: Melvin Quaresma Categoria: Inspire-se

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